Vida a dois: 87 dias

Deveria ser esse o novo título, mas mais de um episódio do que de uma obra em si.

“Santuário”, dizia um. “Caverna”, o outro. Paredes, quadros, armários…insignificância pra uns, essencial para outros. E no meio termo existia um vazio que, de tão vazio, nem existia.

Existe um silêncio, isso sim…de energia, de presença e espírito. Agora se respira…

Cada palavra soa mais alto que o volume original, cada tom mostra uma curva onde nada existe. Enquanto do lado de cá só vai ficando mais pesado..mais cavado ali no buraco da existência. Entende? Não..claro que não…

Tem gente que é assim mesmo..se perde nos próprios pensamento s situações irreais que, quem sabe um dia, poderiam ter acontecido. Ou então até aconteceram, só não nessa realidade. E se essa segunda realidade fosse um aglomerado de pensamentos, teria muita semelhança. Pessoas observando e admirando..esportes..humor..

Assim como o estilo dos sonhos se repete… Muita gente, muita gente…o que isso quer dizer?

Entrevista de emprego

Episódio 1

RH: Tenho uma última pergunta: se você tivesse que ser uma comida, que comida seria?

Entrevistada: Oi?

RH: Comida…

E: Pode ser animal? Animal é mais fácil (a imagem de um lobo vem à mente)..não? Ok…um….oniguiri?

Episódio 2

RH: O que você achou da empresa?

E: Parece bacana, tem um ambiente legal, gostei das luzes amarelas…

RH: Temos uma pergunta: aqui na nossa empresa, fazemos festa de Natal. Você estaria disposta a cantar e dançar?

(Detalhe: o mês era junho…)

 

 

 

 

 

Preciso demais desabafar

Se ficar velho é começar a chorar por besteira, por ouvir Whitney Houston e Mariah Carey e se imaginar o Príncipe do Egito atravessando o deserto (é essa história?) pedindo por um milagre, ou então se exercitar por 10 minutos e perder o fôlego (“Nossa, que cansaço” frase proferida a cada intervalo de 2 depois da primeira metade), então sim, estou velha.

Mas já me disseram pra parar com essa mania de ver na idade um problema. Cheguei a ter que mentir a idade? Sim! Por questões profissionais, por assim dizer. Não como aquela candidata ao concurso de fitness que não se decidia: Idade? “vinte e….sete, não..seis!”. Idade é relativa. Depende da ocasião. Que nem horário de almoço e janta “das 11h as 17h, das 17:30h as 3am”. Ou nacionalidade: Japonesa? “Sim”. Chinesa? “Aham”. Coreana? “Sempre”. Até do Kazaquistão eu já fui. Não sei por quê. Deu na telha dizer que no meu país, meu amado Kazaquistão, não tinha trabalho bom e o pais era pobre. Precisava fazer dinheiro fora e vim parar aqui. O tomate? “uff, super caro”. O frango: “Mais de 100 pesos o assado”. E tem milho? “ô se tem, no país todo”. Disseram que foi maldade trollar com o taxista. Ou com os caras da balada quando fingi que eu tava a passeio no Brasil e não entendia nada em português.

Mas voltando..ficar velho é voltar a escrever nesse blog depois de seis anos. Sem coragem pra criar outro. Ha. Os textos de antigamente não eram ruins, vai. Uma rabugentice aqui, outra ali…a graça da vida ta aí. Mas sim, voltei..voltei e se ninguém se importar melhor ainda. “Deixa deixa eu dizer o que penso dessa vida..preciso demais desabafar”, já dizia Marcelo D2 (ou quem quer que tenha escrito isso).

Morar nas Filipinas é fácil e não é. Quem sabe aqui eu mostro o porquê.

 

Conversas do dia

Professor orientador com dia e hora marcada? Uma vez por semana, cara a cara?

Professor orientador da hora é aquele que dá conselho via internet, te responde mesmo estando fora do país, e que, mesmo não entendendo a piada da aluna no MSN, faz os outros rirem. Isso é que é ano de TCC!

– Professor, era pra eu ter enviado os textos, mas não consegui porque fiquei doente.

– O que você teve?

– Infecção na garganta, de novo. Se o sr. fizer uma matéria sobre pessoas que não tem anticorpos pode vir falar comigo.

– Como não tem anticorpos?

– É brincadeira.

Visum et repertum

Meia noite passada. Cecilia do Lago, a eterna bixete de faculdade, diz:

– Eu vejo gente morta

-HAUHAUHAUHAUHAUA. Ah é?

– É. Mas ainda não vi o Bruce Willis.

Um pouco de humor nunca faz mal a ninguém.

Precisei voltar

– No fundo você descobre que está sozinha na vida sempre.

Ouvi isso em plena tarde de sábado, numa mesa de lanchonete da Liberdade. Engraçado, rancoroso, verdadeiro. (Adoro frases rabugentas). A pessoa que me falou tem seus 20 e poucos anos, mora sozinha em São Paulo, faz faculdade e desistiu da terapia porque a psicóloga só falava pra ela esperar. “Você está passando por um momento introspectivo…”. “Mas eu não quero mais passar por esse momento, eu quero sair dele!” – ela retrucou. Estava revoltada com as situações tragicômicas da vida. Havia combinado com a amiga e o namorado dela de saírem no sábado à noite para uma balada. Depois de três assadeiras de lasanha, o casal ficou tão cheio que não quis mais sair. “Fiquei tão brava que acordei cedo no domingo e fui fazer minhas coisas, sozinha. Porque não importa o que aconteça, não adianta depender de ninguém, a gente ta sempre sozinha”. Foi algo assim que ela me disse.

E o que eu acho do fenômeno das redes sociais? Acho que suscitaram uma mania muito esquisita nas pessoas, bem do novo século: a de achar que o que se diz é importante. E não, eu não acho que o que digo é importante. E não foi por isso que resolvi voltar a escrever nesse blog. Acredite ou não, mas é porque aqui me sinto mais a vontade pra escrever o que eu penso do dia, das pessoas, sem prazo de entrega, sem número pré-determinado de linhas, sem estruturas pré-definidas. E só o faço porque o tempo exige que eu volte a escrever de maneira decente o quanto antes.

Recentemente, talvez nos últimos meses ou até semanas, adquiri uma postura parecida com a da lagarta de Alice no País das Maravilhas. “Quem é você?”…e soltaria uma baforada na sua cara se eu fumasse. Arrogante? Sim, mas não culpe só o que paga minhas contas, é coisa de São Paulo, de paulistano impaciente estressado. Nem todo mundo é assim, claro, mas o efeito é maior em mim. E não saio desse jeito pra todo mundo também, mas pra atendentes incompetentes de restaurantes chiques que não sabem receber clientes. “É por isso que vai continuar atendente”, já dizia um primo meu.

Não seria ótimo morrer por algum tempo? Assim, só pra descansar da vida…

“Eu gostaria muito que você entendesse
Usasse toda a sua inteligência
E percebesse
Que é com você que eu estou falando agora
As suas vibrações me incomodam
Sua presença me perturba
Você nunca me ajudou
Por favor não me atrapalhe
Não se interponha em minha vida
Você não me é mais uma pessoa querida
Levanta, levanta por favor vai embora”

(Angela Ro Ro)

Vai e vem e volta

Morávamos eu, meus pais, meu irmão (SP)
Morávamos eu, minha mãe, meu irmão, meus avós (Ours)
Morávamos eu, minha mãe, meu irmão (Ours)
Voltamos eu, meus pais, meu irmão (Ours)
Morávamos eu, minha mãe, mãe pai (Ours)
Morei eu (Londrina).
?
Morávamos eu, meu irmão (SP)
Morávamos eu e mais três desconhecidas – quais eram todos os nomes? (Iwata)
Morávamos eu, meu irmão, minha prima (SP)
Morávamos quem?
Moramos eu, meu irmão (SP)

Será que fui vendida para a direita reacionária?

Precisei correr antes que a Shakira me processasse. Ben Harper também poderia reclamar. Bidê ou Balde então…

Lembro de ter aprendido há muito tempo que citações devem ser usadas entre aspas ou em itálico. Faz todo sentido, pena que não pra todos. Muitos sequer veem a diferença.

Problema é que eu não sei ler. Verdade! Imagina escrever letras de música ou poemas se sou praticamente uma analfabeta funcional!

Talvez seja inveja da minha parte, só porque meu pai não quer aprender a mexer na internet enquanto tanta gente planta bananeira no mundo virtual. Agora meus papais estão voltando pras aulas de informática. Não deixa de ser uma gracinha, não é mesmo?

Mas foi muito bem lembrado! Eu esqueci de divulgar nesse blog uma das bandas cujas músicas eu tenho ouvido quase todos os dias: www.myspace.com/memoriasdeumcaramujo

Sábado agora, no Espaço Cachuera, show da banda Memórias de um Caramujo! Eu estarei lá! Todos convidados. Todas as 25 mil (ou seriam milhões?) pessoas  que entram diariamente neste blog. E todos os meus miguxos do orkut. E todos os meus seguidores do twitter (sequer sei achar pessoas naquele microblog). Etc, etc…

Peço perdão aos assessores e assessoras de imprensa que fazem clipping de plantão . Não a todos, claro. Só àqueles que foram afetados pelo meu deslize e que acreditam nos comentários da Vovó Mafalda, já que meu blog super politizado, engajado, cabeça, descolado, antenado, cult, pop (acrescente todos e quaisquer outros adjetivos que estejam na moda) exerce influência sobre tantas cabeças.

Letras de música e frases creditadas devidamente, antes que digam que a culpa é da Veja.

Cansada de notícias como essas…

Mais uma reportagem sobre trotes violentos…todo ano, todo ano.

Sério, já não perdeu a graça? É incrível como jovens reprimidos precisam liberar seus desejos irracionais e suas pseudotensões agindo de forma animalesca.

O cara ainda acha que é alguma coisa por ser veterano de uma faculdade “qualquer um entra se deixar o documento de identidade cair na porta do lugar”.

Falta de apanhar, sempre… Talvez metade dos problemas do mundo não existiriam se os adultos e jovens de hoje tivessem apanhado mais quando crianças…